Khamenei semeia ódio desenfreado contra os EUA e Israel — e conduz o Irã para um confronto perigoso
Retórica extremista, repressão interna e acusações infundadas colocam o regime iraniano no caminho de uma resposta internacional severa
O Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a incendiar o cenário internacional com declarações agressivas contra os Estados Unidos e Israel, culpando diretamente o presidente americano Donald Trump pelas mortes ocorridas durante os recentes protestos no país. Em discursos públicos e postagens nas redes sociais, Khamenei classificou as manifestações populares como uma “rebelião americana” e acusou Washington e Jerusalém de conspirarem para desestabilizar a República Islâmica.
Mais do que palavras inflamadas, as declarações revelam uma estratégia recorrente do regime iraniano: transferir a responsabilidade por crises internas para inimigos externos, ao mesmo tempo em que intensifica a repressão contra seu próprio povo.
Protestos, repressão e a narrativa do “inimigo externo”
O Irã enfrenta uma de suas mais graves crises internas dos últimos anos. Protestos motivados por colapso econômico, desemprego, inflação e ausência de liberdades civis se espalharam por diversas cidades. Organizações internacionais de direitos humanos relatam milhares de mortos e presos, resultado de uma repressão violenta conduzida pelas forças de segurança do regime.
Em vez de reconhecer o descontentamento popular, Khamenei optou por um discurso conspiratório, alegando que os protestos foram planejados pela “inteligência americana e sionista”. Até o momento, nenhuma prova concreta foi apresentada para sustentar tais acusações.
Essa retórica não é nova. Ao longo de décadas, o regime iraniano tem utilizado o antiamericanismo e o antissionismo como ferramentas políticas para justificar autoritarismo interno e manter sua base ideológica mobilizada.
Demonização dos EUA e incitação ao conflito
Ao afirmar que os Estados Unidos são responsáveis diretos pelas mortes de manifestantes iranianos, Khamenei não apenas distorce os fatos, mas planta deliberadamente ódio contra o Ocidente, criando um ambiente propício à escalada militar.
A resposta americana foi imediata. O Departamento de Estado deixou claro que “todas as opções estão sobre a mesa”, alertando Teerã para não testar os limites do governo Trump. A mensagem foi direta: qualquer ataque a alvos americanos será respondido com força esmagadora.
O próprio Trump reagiu chamando Khamenei de “um homem doente” e acusando-o de destruir o Irã por meio de má liderança, violência sistemática e isolamento internacional.
Um líder que oprime o próprio povo
Enquanto acusa potências estrangeiras, Khamenei governa um país onde:
- Dissidentes são presos, torturados e executados
- Mulheres são reprimidas por desafiar códigos religiosos impostos
- Minorias religiosas e étnicas sofrem perseguição
- A economia é sufocada por corrupção e sanções agravadas pela política agressiva do regime
O contraste é evidente: o maior inimigo do povo iraniano não está fora do país, mas dentro do próprio sistema que o governa.
Israel no centro da retórica iraniana
Israel segue como alvo preferencial da propaganda do regime iraniano. Ao vincular Jerusalém às manifestações internas, Khamenei reforça a narrativa de ódio que sustenta o financiamento de grupos terroristas como Hezbollah, Hamas e milícias pró-Irã na Síria e no Iraque.
Para Israel, essa retórica não é apenas discursiva, mas uma ameaça estratégica real. As Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecem em alerta máximo diante da possibilidade de “cenários surpresa”, especialmente se o regime iraniano tentar desviar a atenção de sua crise interna por meio de provocações externas.
Plantar vento, colher tempestade
Ao insistir em acusações infundadas, alimentar o ódio contra os EUA e Israel e reprimir brutalmente seu próprio povo, Khamenei empurra o Irã para um isolamento ainda maior — e para o risco real de um confronto internacional severo.
A história mostra que regimes que se sustentam pela mentira, pela violência e pela demonização de inimigos externos acabam colhendo as consequências de suas próprias escolhas. No atual cenário, o Irã parece caminhar perigosamente nessa direção.
O mundo observa com atenção. E a pergunta que permanece é: até quando o povo iraniano pagará o preço pela obstinação ideológica de seus líderes?
Desde Sião, Miguel Nicolaevsky
Fontes e referências
Reuters, Associated Press (AP News), Financial Times, The Guardian, Iran International, The Times of Israel, Jerusalem Post








