Matti Caspi (1949–2026): o músico que conectou Israel ao mundo — e ao Brasil

A música israelense perdeu neste domingo um de seus maiores criadores. O cantor, compositor, arranjador e produtor Matti Caspi, considerado um dos pilares da música popular em Israel, faleceu aos 76 anos após enfrentar um câncer avançado. Sua morte marca o fim de uma era, mas também reafirma o legado de um artista cuja obra atravessou gerações e fronteiras culturais.

Mais do que um músico de sucesso, Caspi foi um inovador. Sua linguagem musical fundiu elementos do pop, jazz, música clássica, folk, ritmos balcânicos e, de forma muito especial, a música brasileira — influência que ajudou a introduzir e popularizar em Israel.


Origens e início da trajetória

Matti Caspi nasceu em 30 de novembro de 1949 no Kibutz Hanita, na Galileia Ocidental, filho de imigrantes romenos. Desde a infância demonstrou talento musical, estudando diversos instrumentos e iniciando cedo suas primeiras composições.

Seu desenvolvimento artístico ganhou impulso quando ingressou na banda do Comando Sul das Forças de Defesa de Israel, um importante celeiro de talentos musicais do país. Nos anos seguintes, passou a compor e produzir para outros artistas, antes de lançar sua carreira solo em 1974 — momento que o transformou rapidamente em um dos nomes mais relevantes da música israelense.

Ao longo de mais de cinco décadas, Caspi compôs cerca de mil canções, muitas delas consideradas clássicos nacionais, como Brit Olam, Yamei Binyamina e Yelduti Hashniya.


Um estilo único: a música sem fronteiras

Caspi nunca se limitou a um único gênero. Sua obra dialogava com diversas tradições musicais, combinando influências europeias, mediterrâneas e latino-americanas. Ele próprio definia sua música como algo próximo da “world music”, resultado natural das influências que absorvia ao longo da vida.

Entre essas influências, nenhuma foi tão marcante quanto a música brasileira. A sofisticação harmônica da bossa nova, o balanço do samba e a riqueza melódica da MPB exerceram profunda influência sobre sua estética musical, algo reconhecido tanto por críticos quanto por músicos israelenses.


Matti Caspi e a ponte musical com o Brasil

Nos anos 1970 e 1980, Matti Caspi esteve à frente de projetos que introduziram a música brasileira ao grande público israelense. O álbum e espetáculo “Eretz Tropit Yafa” (Uma Bela Terra Tropical) tornou-se um marco cultural, levando versões em hebraico de clássicos brasileiros às rádios e palcos do país.

Esse projeto não foi apenas uma adaptação musical — foi um fenômeno cultural. Muitos israelenses tiveram seu primeiro contato com a música brasileira por meio dessas versões, que preservavam o espírito original enquanto dialogavam com a sensibilidade local.

Caspi também gravou versões de músicas de compositores como Dorival Caymmi, além de participar de produções que reinterpretavam obras de autores brasileiros com novos arranjos e linguagem hebraica.


Músicas brasileiras adaptadas por Matti Caspi (com links)

Abaixo estão algumas das principais músicas brasileiras associadas aos projetos e adaptações produzidas ou interpretadas por Matti Caspi. Os links levam às versões originais brasileiras para referência histórica e musical.

🇧🇷 Jorge Ben Jor — País Tropical

Uma das adaptações mais conhecidas. A versão hebraica tornou-se um grande sucesso em Israel e símbolo da conexão musical entre os dois países.


🇧🇷 Dorival Caymmi — canções adaptadas e interpretadas

  • O Mar
  • Samba da Minha Terra
  • O Vento
  • O Bem do Mar

➡️ Projeto radiofônico e disco dedicados à obra de Caymmi, com versões em hebraico e novos arranjos.


🇧🇷 Vinícius de Moraes & Toquinho — Como é Duro Trabalhar

➡️ Versão hebraica gravada em projetos ligados à música brasileira em Israel (produção associada ao movimento iniciado por Caspi).


🇧🇷 Ataulfo Alves — Laranja Madura (Em Hebraico A Maça Doce)

➡️ Versão hebraica: Matok HaTapuach (projeto tropical israelense associado à cena criada por Caspi).


Um legado que ultrapassa gerações

Matti Caspi foi muito mais que um cantor popular. Sua música redefiniu o padrão de composição e arranjo na música israelense moderna. Ele era conhecido por tocar vários instrumentos em suas próprias gravações e por tratar cada canção como uma obra musical completa.

Sua parceria com o letrista Ehud Manor tornou-se uma das mais importantes da história cultural de Israel, e sua influência permanece visível em músicos contemporâneos que continuam explorando a fusão entre tradição local e sonoridades globais.


O artista que trouxe o mundo para dentro da música israelense

Ao longo da carreira, Caspi mostrou que a identidade musical não precisa de fronteiras. Sua obra demonstra que Israel podia dialogar musicalmente com o mundo — e que o Brasil, com sua riqueza rítmica e harmônica, ocupava um lugar especial nessa conversa.

Com sua partida, Israel perde um de seus maiores criadores. Mas suas canções — profundamente humanas, melódicas e universais — continuam vivas, ecoando entre gerações que aprenderam, através dele, que a música é uma linguagem comum entre culturas.

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