Mudanças consideráveis na soberania judaica

Contexto histórico e político

O conceito de soberania judaica refere-se ao controle efetivo das terras historicamente associadas ao povo judeu — incluindo partes de territórios atualmente controlados por Israel desde 1967. Tradicionalmente, esses territórios na Cisjordânia (como os chamados Judeia e Samaria) eram administrados por Israel sob ocupação militar temporária, com partes sob a Autoridade Palestina conforme os Acordos de Oslo.

Nos últimos anos, esse modelo está mudando de forma significativa, com propostas e ações que visam transformar esse controle temporário em soberania civil e legal plena de Israel sobre grandes áreas.


Mudanças de controle efetivo e propostas em andamento

1. Propostas legislativas para estender a lei israelense na Cisjordânia

Uma proposta de lei aprovada preliminarmente na Knesset (Parlamento israelense) estipula que as leis, o sistema judicial e a administração do Estado de Israel se apliquem a todas as áreas de assentamentos em Judeia e Samaria (a Cisjordânia).

Esse é um passo formal que, se aprovado em leituras posteriores, daria a esses assentamentos e áreas circundantes status legal e administrativo idêntico ao do território reconhecido como parte de Israel.

Isso significa que a autoridade israelense substituiria a administração militar e as leis internacionais temporárias, estabelecendo jurisdição civil completa.


2. Planos amplos de anexação de grande parte da Cisjordânia

O Ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, propôs um plano para anexar até cerca de 82 % da Cisjordânia à jurisdição de Israel.

O plano inclui:

  • incorporar a maioria dos assentamentos e áreas estratégicas;
  • deixar apenas algumas cidades palestinas (como Ramallah, Nablus, Jenin, Hebron) como “ilhas” separadas;
  • consolidar a presença israelense ao longo de áreas importantes como o Vale do Jordão.

Essa proposta é a expressão mais concreta até agora de um objetivo crescente entre setores do governo de ampliar, formalmente, a soberania israelense sobre vastas partes da Cisjordânia.


3. Expansão de assentamentos como forma de consolidar controle territorial

O governo israelense também aprovou recentemente a criação de dezenas de novos assentamentos e a formalização de assentamentos antigos, removendo restrições que existiam desde os anos 1990.

Segundo relatórios, foram aprovados:

  • 22 novos assentamentos em vários pontos da Cisjordânia;
  • e mais 19 assentamentos adicionalmente formalizados pelo gabinete de segurança.

Esses movimentos são vistos como formas de alterar a realidade no terreno para consolidar o controle israelense, muitas vezes antes de qualquer mudança formal de soberania em lei.


4. Projetos urbanos estratégicos (como a área E1)

Além de assentamentos, há planos de desenvolvimento urbano que ligam assentamentos principais, como o projeto E1 que conecta Jerusalém ao assentamento de Ma’ale Adumim.

Esse tipo de desenvolvimento:

  • cria **corredores contíguos de controle;
  • fragmenta áreas palestinas;
  • reduz a viabilidade de um território palestino contínuo.

5. Expropriação e projetos governamentais de larga escala

Notícias recentes também apontam que o governo israelense emitiu notificações para expropriar terras no sítio arqueológico de Sebastia, na Cisjordânia, para criar um parque nacional e centro turístico.

Essa ação exemplifica como projetos de infraestrutura e turismo — além da legislação e dos assentamentos — são usados como instrumentos para fortalecer o controle territorial em áreas vitais.


Repercussões e debates amplos

Internas

  • Para setores do governo e da população israelense, essas mudanças corroboram o direito histórico e a necessidade de segurança plena em áreas estratégicas.
  • Para críticos, esses passos dificultam ou inviabilizam soluções de dois Estados e aprofundam divisões internas.

Externas

  • A maioria dos países europeus e organizações internacionais opõe-se à anexação unilateral ou expansão de assentamentos, alegando violação do direito internacional.
  • A coordenação de políticas territoriais com aliados e as reações a reconhecimentos de Estado palestino influenciam o ritmo e a estratégia de mudanças de controle.

Conclusão

O chamado aumento da soberania judaica traduz-se hoje em uma combinação de:

  1. propostas legislativas que mudam o status jurídico da Cisjordânia;
  2. planos de anexação direta de grandes áreas;
  3. expansão e desenvolvimento de assentamentos e infraestrutura;
  4. ações governamentais que reformulam a administração territorial.

Esses elementos representam mudanças concretas de controle efetivo do território, mais que declarações abstratas — e apontam para uma nova realidade no equilíbrio de poder e administração entre Israel e os territórios sob disputa.

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