O cenário geopolítico no Oriente Médio em início de 2026 é marcado por tensões que podem ter implicações profundas não apenas para a região, mas para toda a ordem global. A guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza evoluiu de um conflito local para um nó complexo de interesses internacionais, rivalidades históricas, forças regionais e ambições globais de reconstrução e influência.
Contexto Atual: Gaza, Israel e a Busca por Paz
Após quase dois anos de guerra intensa, um cessar-fogo frágil foi alcançado no fim de 2025 entre Israel e Hamas, com mediação dos Estados Unidos. A segunda fase desse cessar-fogo busca desarmar o Hamas, estabelecer uma administração palestina tecnocrática e iniciar a reconstrução de Gaza — um plano amplo e ambicioso liderado pelos EUA.
O presidente Donald Trump apresentou um projeto conhecido como “Board of Peace” ou Conselho de Paz, que deve supervisionar o processo de reconstrução, demilitarização e governança do território, com participação de vários países. Esse esquema inclui nomes internacionais e governos regionais, além de propostas urbanísticas para transformar Gaza em um centro de desenvolvimento.
Entretanto, há críticas e resistência internas:
- Israel, especialmente setores de direita em seu governo, rejeita a inclusão de países como Qatar e Turquia no conselho, por serem vistos como críticos das ações israelenses e apoiadores de grupos palestinos.
- O Hamas mantém resistência em entregar suas armas e concordar totalmente com a desmilitarização, uma das condições essenciais do plano dos EUA.
Esse impasse mostra que, embora existam intenções diplomáticas, a paz ainda não foi alcançada de fato — e a reconstrução de Gaza segue condicionada a passos que ainda não foram dados pelos principais envolvidos.
Os Grandes Atores e Seus Interesses
🇺🇸 Estados Unidos
Os EUA são mediadores centrais no plano de paz e buscam liderar a reconstrução e estabilização de Gaza, com o objetivo declarado de encerrar décadas de conflito. Trump e seus representantes, como Jared Kushner, têm defendido a visão de um “novo Gaza” funcional e seguro.
🇮🇷 Irã
O Irã continua sendo uma força antagonista para Israel e para o Ocidente em geral. As tensões entre Teerã e Washington remontam à Revolução Islâmica de 1979 e ao longo histórico de confrontos indiretos e ameaças mútuas — incluindo postos de mísseis e apoio a grupos armados na região.
Além disso, a cooperação técnico-militar entre Rússia e Irã tem sido notada por analistas como parte de um movimento estratégico de longo prazo no Oriente Médio.
🇷🇺 Rússia
A Rússia, por meio de sua poderosa indústria de defesa, tem mantido relações com nações como Irã e outras facções regionais, fornecendo equipamentos de guerra e cultivando influência geopolítica.
Apesar de tentar equilibrar seus interesses com relações diplomáticas em várias frentes, a postura russa no Oriente Médio frequentemente se alinha mais com potências que desafiam a hegemonia ocidental, o que complica ainda mais a estabilidade regional.
🇶🇦 Qatar, 🇹🇷 Turquia, 🇪🇬 Egito e 🇯🇴 Jordânia
Países árabes e muçulmanos como Qatar e Turquia participam do processo internacional, apesar de históricos de rivalidade com Israel. Estados como Egito e Jordânia mantêm paz formal com Israel, mas muitos observadores indicam que essa paz é frequentemente fria ou frágil, influenciada por interesses estratégicos e opiniões divergentes nas sociedades desses países.
A participação desses países no Conselho de Paz provoca desconfiança por parte de Israel, que vê em alguns deles posições ambivalentes ou críticas ao seu governo.
🇫🇷 França, 🇪🇸 Espanha e outras potências europeias
Ao longo da crise, muitos líderes europeus, incluindo França e Espanha, emitiam declarações criticando ações de Israel e pedindo respeito ao direito internacional. Alguns desses posicionamentos foram interpretados por setores pró-israelenses como influenciados por antissemitismo ou pressão populista — adicionando uma camada de tensão diplomática.
O Maior Risco: A Falta de Desarmamento do Hamas e Possível Escalada
Um dos pontos mais delicados do plano de paz é justamente a recusa do Hamas em depor as armas sob condições claras de desarmamento.
Sem esse passo, as etapas seguintes — como retirada efetiva das forças militares e reconstrução — não podem avançar de forma sustentável. Isso coloca em dúvida a capacidade do Conselho de Paz de cumprir seus objetivos.
Além disso, o Irã permanece retórico e estratégico em suas ameaças, o que alimenta temores de que grupos armados como o Hamas ou o Hezbollah — outro aliado iraniano no Líbano — possam desencadear outra rodada de violência que vá além de Gaza.
Isso levanta uma questão crucial: o plano de paz e reconstrução poderá falhar se não houver soluções concretas para a segurança e desarmamento? E, se falhar, quais serão as repercussões?
Referências Bíblicas e o Medo do Cenário Apocalíptico
Nas tradições judaico-cristãs, há profecias que alguns estudiosos associam simbolicamente ao atual estado de conflito no Oriente Médio.
Uma das mais citadas é a profecia de Gog e Magog, encontrada no livro de Ezequiel 38–39. Essa passagem menciona a formação de uma coalizão de nações que se levantaria contra Israel nos “últimos dias”.
Alguns intérpretes veem paralelos entre essa coalizão profética e as alianças geopolíticas modernas — como a cooperação entre Rússia e Irã, ou a oposição de vários países árabes e muçulmanos a Israel — como possíveis ecos das tensões descritas nos textos bíblicos.
Independentemente de interpretações escatológicas, muitos líderes religiosos e espirituais encaram essa conjuntura como um alerta para estarem vigilantes, preparados e espiritualmente conscientes diante de uma potencial crise de proporções regionais ou globais.
Conclusão: Uma Paz Frágil e um Mundo em Vigília
O plano de paz para Gaza representa um esforço histórico de reconstrução e reconciliação — mas não está isento de riscos e contradições.
Há intenção diplomática e apoio internacional.
Mas há também rivalidades políticas, resistência armada, desconfiança histórica e interesses estratégicos divergentes.
Se essas tensões não forem resolvidas com sabedoria, diálogo e compromisso real com a paz, o caminho poderá levar a novas escaladas, colapsos diplomáticos ou crises que ultrapassem as fronteiras do Oriente Médio.
Para Israel e para muitos crentes no mundo, essa é uma época de alerta, oração e ação responsável, refletindo sobre segurança, valores humanos e a busca de soluções que preservem a vida e a dignidade de todos os povos.








